O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF), prestado por videoconferência no dia 28 de agosto, que teve cuidado com a origem de repasses financeiros a Belline Santana, ex-chefe de supervisão do Banco Central (BC), para evitar que a relação transparecesse como algo diferente da realidade.
Durante a oitiva, realizada a partir do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, Vorcaro foi questionado sobre uma mensagem enviada ao cunhado, Fabiano Zettel. No texto, o banqueiro reagiu com a frase “que circo” ao receber a cópia do contrato assinado por Santana em um projeto social financiado por empresas ligadas a ele. Vorcaro negou que a expressão significasse que o projeto era inexistente e atribuiu a fala à intimidade com o familiar.
A apuração indica que Belline Santana recebeu cerca de R$ 3,8 milhões entre outubro de 2023 e dezembro de 2025. Os pagamentos foram realizados por meio da Varajo Consultoria, da Super Empreendimentos e Participações e da Moriah Asset. Vorcaro declarou à PF que definiu a ordem de grandeza do investimento entre R$ 2 milhões e R$ 4 milhões, delegando a execução ao cunhado.
O banqueiro determinou, em mensagens, que os pagamentos parassem de sair da Super Empreendimentos. Ao ser informado que os repasses continuavam por esse caminho, questionou se o responsável estava “doido”. Vorcaro justificou que a empresa passava por reorganização societária e que precisava separar questões pessoais do banco.
Questionado se a preocupação com o fluxo do dinheiro tinha relação com o cargo de Santana no Banco Central, Vorcaro respondeu que sim. Ele sustentou que nunca solicitou ou recebeu vantagens de servidores e que consultou Santana sobre a legalidade da participação de funcionários públicos em projetos sociais. O ex-chefe de supervisão teria dito que consultaria a Corregedoria do BC para formalizar a atividade.


