O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, registrou em seu aparelho celular os nomes de agentes da Polícia Federal que participaram de uma reunião com o Banco Central em 17 de outubro de 2025. A informação consta em relatório da PF liberado nesta sexta-feira (11) após decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A anotação dos nomes ocorreu quatro dias após o encontro, que tratava de uma investigação envolvendo a instituição financeira. Entre os agentes listados por Vorcaro estão Dennis Cali, diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF, Guilherme Alves de Siqueira, chefe da Divisão de Repressão a Crimes Financeiros, e o agente Wilker Goulart. O documento também cita os delegados Janaína e Britto.
O relatório detalha outras anotações feitas pelo banqueiro em 30 de outubro de 2025. Na ocasião, Vorcaro mencionou ter recebido dados de pessoas do Banco Central sobre a situação do Master. A PF interpretou que as referências a “G”, “Andrei” e “Paulo” seriam menções a Gabriel Galípolo, presidente do BC; Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF; e Paulo Gonet, procurador-geral da República.
De acordo com a apuração, o objetivo de Vorcaro era que tais informações chegassem a Rodrigues e Gonet para tentar impedir que integrantes da PF e do Ministério Público Federal (MPF) tomassem medidas contra ele.
Em registro feito poucos minutos depois, o fundador do banco afirmou possuir pessoas de confiança no Banco Central. Vorcaro escreveu que amigos dentro do órgão ficaram preocupados e classificou as informações recebidas como confiáveis, declarando que não poderia “queimá-los”.
Os dados vieram a público depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de 15 processos que envolviam o Banco Master na última quinta-feira (10).


