O empresário André Gerdau alertou para uma “mudança estrutural” no comércio mundial e questionou a capacidade do Brasil de competir com a indústria de outros países. A declaração foi feita durante o Congresso Aço Brasil, nesta terça-feira (29), em São Paulo, onde ele citou a capacidade ociosa do setor siderúrgico brasileiro.
Segundo Gerdau, o país tem capacidade instalada para produzir 51 milhões de toneladas de aço por ano, mas a produção atual é de cerca de 33 milhões de toneladas. A utilização da capacidade está entre 60% e 65%, enquanto o patamar mínimo para remunerar capital, distribuir dividendos e sustentar investimentos seria acima de 80%.
O consumo aparente de laminados está entre 25 milhões e 26 milhões de toneladas por ano. O pico foi de 27 milhões de toneladas em 2013. O volume caiu para 18 milhões e voltou a crescer, mas segue próximo do nível de uma década atrás.
As importações diretas de aço atingiram 5,7 milhões de toneladas em 2025, o equivalente a cerca de 22% do consumo nacional. Para 2026, a expectativa é de participação entre 18% e 18,5%. Mesmo com recuo, o percentual permanece acima do histórico de 9% a 10% registrado entre 2000 e 2019.
Gerdau reconheceu que medidas de defesa comercial adotadas pelo governo contribuíram para a redução, mas avaliou que o nível ainda é elevado. Ele também chamou atenção para as importações indiretas: aço incorporado a carros, máquinas, equipamentos, eletrodomésticos, implementos e tratores. Ao considerar os dois fluxos, cerca de um terço do aço consumido no Brasil vem de fora do país, segundo ele.
“Não queremos fechar o mercado; queremos condições justas de competição”, afirmou Gerdau. O consumo per capita de aço no Brasil é de cerca de 120 kg por habitante. Na China, o índice chega a 560 kg.
Para a Gerdau, investimentos em infraestrutura, energia e habitação podem ampliar a demanda interna, desde que acompanhados por melhores condições de produção. O empresário defendeu uma política de Estado de longo prazo para o setor industrial. “O comércio mundial mudou, está mudando e vai continuar mudando”, disse durante o evento.


