A gestora suíça Lombard Odier Investment Management (LOIM) retomou a posição de compra em títulos do Tesouro dos Estados Unidos, as Treasuries, pela primeira vez em ao menos cinco anos. A decisão ocorre por considerar que os rendimentos da dívida americana tornaram-se mais atrativos em relação ao mercado de ações.
Florian Ielpo, chefe de pesquisa macro da gestora, que administra 367 bilhões de francos suíços (R$ 2,29 trilhões), informou que os mandatos multiativos da empresa, incluindo o fundo LPP30, alocaram parte do caixa em contratos futuros de Treasuries de 10 anos no início de setembro. A companhia detém agora uma posição de 2%, volume que representa cerca de metade do tamanho da exposição mantida em ações.
A movimentação ocorre em um período de liquidação global de títulos de dívida. Nesta semana, os rendimentos dos Treasuries de 10 anos subiram acima de 5%, atingindo as máximas em quase três décadas, enquanto as taxas de 30 anos chegaram a 5,44%, o maior nível desde 2004.
Ielpo explicou que os rendimentos dos títulos estão alinhados ao lucro por ação das empresas americanas. Para investidores sediados na Suíça, a operação oferece a vantagem do carrego, devido à diferença entre os juros suíços, próximos de zero, e as taxas mais altas dos títulos dos EUA. “Estamos em um momento em que, basicamente, os títulos estão baratos e as ações estão comparativamente caras”, disse Ielpo.
O executivo afirmou que os títulos devem se beneficiar com a redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio e a estabilização das captações de empresas de inteligência artificial. Ele atribui a recente liquidação do mercado à resiliência da economia dos EUA, e não à probabilidade de novos aumentos de juros.
Diferente do mercado monetário, que projeta mais de três altas de juros do Federal Reserve para o próximo ano, Ielpo espera apenas mais um movimento após a alta de 0,25 ponto percentual ocorrida no mês passado. A gestora evitava os Treasuries desde a pandemia de Covid devido à volatilidade, mas voltou a normalizar a exposição agora que as oscilações diminuíram.
Sobre a perspectiva de retorno aos níveis de juros pré-pandemia, o chefe de pesquisa demonstrou ceticismo. Ele argumentou que os Estados Unidos precisam manter taxas atrativas para captar capital estrangeiro. “Se você espera que os juros voltem a 3% amanhã de manhã, pode se decepcionar muito”, afirmou.

