A Ghia Multi Family Office aponta que a maior parte do movimento de fechamento das taxas dos títulos públicos atrelados à inflação ainda não ocorreu. Para a gestora, a percepção dos investidores sobre a política fiscal, especialmente em ano eleitoral, é o fator determinante para a queda dos juros reais.
O Tesouro IPCA+ 2032 registrou recuo de juro real de 8,15% ao ano para patamares inferiores na última quarta-feira (16), enquanto o título com vencimento em 2040 caiu de 7,63% para 7,31%. Bruno de Paula, diretor da Ghia, afirma que o prêmio pode cair de forma duradoura caso surja um plano que reduza a relação entre dívida e PIB.
Um estudo da casa analisou casos recentes no Chile, Colômbia e Peru, onde a eleição de governos percebidos como pró-mercado e austeros provocou a queda dos juros de 10 anos antes mesmo da confirmação dos resultados. No Brasil, De Paula avalia que o efeito pode ser mais intenso devido ao tamanho da dívida pública.
Simulações da Ghia para a NTN-B 2032 indicam que o retorno em 12 meses seria de 14% com juros estáveis, subindo para 19,5% em caso de queda de 1 ponto percentual. Já para a NTN-B 2040, o retorno saltaria de 13,3% para 28% no mesmo cenário de queda. “Se der errado, é pouco. E, se der certo, você tem muito para capturar”, disse o diretor.
Apesar da visão construtiva, a gestora mantém cautela com os prazos e evita vencimentos muito longos para mitigar o risco de radicalizações em um eventual segundo turno. A recomendação para investidores pessoa física é o uso de ETFs que replicam o índice IMA-B, da Anbima, para acompanhar a tese sem a necessidade de gerir títulos específicos.
O diretor da Ghia informou que a casa prefere fundos imobiliários de tijolo e ações para capturar quedas mais fortes de juros. Títulos prefixados seguem fora da estratégia da gestora há três anos por apresentarem assimetria desfavorável.

