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Gilmar Mendes defende saída de delegados da PF do STF

Carla Fernandes
Última atualização: 3 de setembro de 2026 16:27
Carla Fernandes
Tempo: 2 min.

O ministro Gilmar Mendes deve propor ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a retirada de delegados da Polícia Federal (PF) que trabalham nos gabinetes da Corte. A medida será discutida nesta quinta-feira (3) sob a justificativa de evitar que a proximidade entre investigadores e ministros crie relações inadequadas na condução de inquéritos.

A proposta surge durante crise interna provocada por investigações sobre o Banco Master. A tensão aumentou após a Polícia Federal identificar o ministro Alexandre de Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro em mensagens apreendidas. O cenário inclui ainda divergências entre o ministro André Mendonça e a cúpula da PF.

Atualmente, cinco delegados da PF estão cedidos ao Supremo. Quatro atuam em gabinetes e um na área de segurança. André Mendonça conta com Graziela Machado e Thiago Marcantonio; Fábio Shor trabalha com Alexandre de Moraes; Fábio Lucena atua com Luiz Fux; e Raphael de Mello Batista integra a Polícia Judicial.

A medida impactaria as estruturas de Mendonça, Moraes e Fux. No gabinete de Mendonça, Thiago Marcantonio assessora o magistrado desde 2025 em processos sobre fraudes no Banco Master e desvios no INSS. A movimentação do governo para recuperar policiais cedidos já havia sido interpretada como tentativa de atingir a estrutura de apuração do relator.

O tema gera atrito entre o STF, a PF e o governo. Em junho, o Ministério da Justiça solicitou a devolução de policiais cedidos em mais de 50 órgãos públicos para combater o crime organizado. O Supremo não foi incluído na lista na ocasião para não prejudicar investigações em curso.

As divergências entre Mendonça e a cúpula da PF se aprofundaram após o ministro determinar que a corporação identificasse interlocutores de Vorcaro citados em material apreendido.

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