Os ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes afirmaram, nesta terça-feira (15), durante sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF), que o ministro André Mendonça agiu com interesses eleitorais ao levantar o sigilo parcial de investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master.
A acusação refere-se à decisão de Mendonça de publicizar apenas os documentos que mencionavam Moraes em um relatório da PF sobre mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro. O magistrado manteve sob sigilo a documentação que trazia suspeitas sobre outros ministros da Corte, como Nunes Marques, Dias Toffoli e o próprio Mendonça.
Durante questão de ordem, Gilmar Mendes classificou a conduta como um “pixuleco” e um “boneco eleitoral”. O ministro pediu a suspensão da sessão para que os processos envolvendo Moraes e Mendonça sejam julgados em conjunto.
Mendes criticou o momento da divulgação, que ocorreu próximo ao feriado de 7 de setembro. Segundo ele, embora houvesse suspeitas desde março, Mendonça teria aguardado o período eleitoral para solicitar o relatório à PF, tentando arrastar o STF para práticas de viés político na PET 16.662.
Alexandre de Moraes também afirmou que Mendonça teria solicitado a inclusão de seu nome nas investigações por estar a serviço de um grupo político que tentou dar um golpe no país. Moraes foi o relator da ação penal que condenou Jair Bolsonaro e outros envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.
Questionado sobre as alegações, André Mendonça informou que aguardaria o momento oportuno para se manifestar.

