O ministro Gilmar Mendes enviou, neste domingo (13), um ofício ao diretor-geral da Polícia Federal solicitando cópia da mídia extraída do celular de Daniel Vorcaro. O documento argumenta que a ausência do material, retido no gabinete do ministro André Mendonça há mais de seis meses, impede a identificação de omissões ou contradições no relatório do processo.
A solicitação ocorre antes do julgamento da Pet 16.662, pautado para a sessão plenária desta terça-feira (15), no qual os ministros discutirão a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro. Gilmar afirma que o acesso aos dados brutos é necessário para que os julgadores não sejam reduzidos a espectadores do trabalho do relator.
Segundo o ministro, a Polícia Federal informou ter condições técnicas de enviar cópias idênticas às de Mendonça, preservando a cadeia de custódia. Ele defende que, como o Plenário é um colegiado sem hierarquia entre seus integrantes, os demais membros têm a prerrogativa de acessar as informações que fundamentam a decisão.
Gilmar Mendes rebateu a alegação de risco às investigações feita por Mendonça ao esclarecer que não pede o levantamento do sigilo. O material permaneceria sob regime rigoroso de restrição, com acesso limitado ao seu gabinete, nos mesmos termos aplicados ao relator desde 8 de março de 2026.
Paralelamente, o ministro Cristiano Zanin determinou que a Polícia Federal envie ao seu gabinete a cópia dos dados do celular de Vorcaro até as 23h deste domingo. Zanin afirmou que não há hierarquia entre os magistrados da Corte e criticou a postura de André Mendonça.
Em despacho, Zanin relatou que Mendonça não enviou a íntegra do conteúdo compilado do dono do Banco Master, ignorando provocações por ofício e até mesmo uma determinação do presidente do STF, Edson Fachin. Pedidos de envio do material também foram feitos por Alexandre de Moraes na sexta-feira (11) e por Gilmar Mendes no sábado (12).


