O engenheiro de software, jornalista e estudante de Direito Arthur da Paz desenvolveu um jogo eletrônico de luta com elementos de sátira política e jurídica. A iniciativa, criada em Goiânia, surgiu como forma de protesto contra decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o teto salarial de magistrados e promotores.
O projeto utiliza a estética de jogos de luta dos anos 1990, como Street Fighter II, e situa as disputas na Praça dos Três Poderes. Personagens como o “Juiz Mendigo” e o “Promotor Quebrado” foram os primeiros a serem criados, refletindo a repercussão de cortes em contracheques da categoria.
Para a construção dos perfis, o desenvolvedor utilizou ferramentas de inteligência artificial para analisar comportamentos e decisões de ministros. O ministro Gilmar Mendes, por exemplo, possui o golpe “Pedido de Vista Giratório”. A apuração indica que modelos de IA foram usados para identificar quem costuma pedir mais vista ou nulidades nos processos.
O jogo é gratuito e não possui fins comerciais. Arthur da Paz afirmou que a intenção é ampliar o alcance de sua mensagem e oferecer entretenimento, sem que a ferramenta seja instrumentalizada para outros interesses. O desenvolvedor investiu cerca de R$ 3 mil em tokens de ferramentas de IA, como Claude e GPT Astra, para a finalização do software.
O desenvolvimento começou em 28 de março de 2026 e foi realizado paralelamente ao trabalho do autor em um banco e aos estudos na faculdade de Direito. O projeto ganhou visibilidade após ser compartilhado por Raul Sena, da AUVP, na rede social X.
O criador planeja adicionar novos personagens, incluindo o “Advogado Sucumbido” e o “Anulador-Geral”, inspirado no Procurador-Geral da República, Paulo Gonet. Segundo ele, o jogo busca estimular discussões sobre mudanças institucionais na formação do Supremo.

