O procurador-geral da República, Paulo Gonet, admitiu ter se encontrado com o banqueiro Daniel Vorcaro em Londres, em abril de 2024, mas negou manter qualquer relação de amizade com ele. A declaração consta em manifestação de 37 páginas enviada ao Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) nesta quarta-feira (16).
O documento foi enviado para atender a uma solicitação do subprocurador-geral da República Francisco Sanseverino. Ele é o relator de um procedimento que analisa representação do partido Novo para eventual impedimento de Gonet no caso Master. O Conselho Superior marcou para o dia 25 de setembro a sessão que apreciará a suspeita de ligação entre as duas figuras.
A apuração baseia-se em documento da Polícia Federal (PF) encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Operação Compliance Zero. Mensagens extraídas do celular de Vorcaro sugerem que o procurador teria dito estar com “saudade” do banqueiro e o chamado de “máquina”. Gonet afirmou que a frase sobre saudade não era dirigida a Vorcaro e que o termo “máquina” referia-se, na verdade, ao advogado Ciro Soares.
Sobre o encontro em Londres, Gonet explicou que foi convidado para falar em um painel sobre o Judiciário e a estabilidade democrática. Segundo o PGR, o evento contou com a presença de ministros do STF, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do ex-presidente Michel Temer. Ele declarou que Vorcaro era desconhecido até aquele momento e que a interação ocorreu apenas em contextos de convívio social com outros convidados.
O procurador-geral negou ter atuado para barrar investigações sobre o Banco Master e afirmou que não houve interferência para obstar apurações. Gonet informou ao colegiado que continuará atuando nos procedimentos envolvendo a instituição financeira e seu antigo gestor, sustentando que não há motivos para a abertura de investigação criminal sobre sua conduta.
A sessão do dia 25 será presidida por Nicolao Dino, vice-presidente do Conselho Superior. O colegiado é formado por dez integrantes, incluindo o procurador-geral e o vice-PGR, além de oito subprocuradores-gerais eleitos.


