O procurador-geral da República, Paulo Gonet, negou nesta terça-feira (15), em plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), qualquer proximidade com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Gonet afirmou ter falado apenas uma vez com o ex-banqueiro, em um encontro breve e banal durante um evento realizado em 2024 com a presença de outras autoridades.
A declaração ocorreu durante sessão marcada pelo presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, para debater relatório da Polícia Federal (PF). O documento detalha conversas entre Vorcaro e um interlocutor identificado como o ministro Alexandre de Moraes. Gonet disse estar satisfeito com o reconhecimento de André Mendonça de que as provas colhidas pela PF não indicam prática de ilícito por parte do procurador-geral.
O relatório da PF cita diálogos nos quais o advogado Ciro Soares encaminha mensagens atribuídas a Gonet para o ex-dono do banco. Em outros trechos, Vorcaro solicita a Moraes que acione o PGR e o chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para impedir uma operação contra a instituição financeira. A apuração também indica que o filho do procurador-geral teria pedido ao banqueiro para participar de um evento com despesas pagas em Londres.
Gonet defendeu a nulidade do caso em documento enviado no dia 1º, alegando que Mendonça utilizou a polícia para impor a investigação de um colega, exercendo atividades que não lhe competiam. Para o PGR, não cabe ao juiz realizar investigações pré-processuais ou assumir papel de acusador.
Antes da sessão, o presidente do STF sugeriu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) enviasse outro representante, como Hindenburgo Chateaubriand, mas Gonet optou por comparecer. Para lidar com a pressão, o chefe da PGR criou um grupo de trabalho composto por Chateaubriand e pelos subprocuradores-gerais Edílio Magalhães Teixeira e André de Carvalho Ramos.
Internamente, o Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu um procedimento no dia 3 para apurar as menções ao procurador-geral nas mensagens de Vorcaro. Integrantes da cúpula da PGR avaliaram que as citações expõem a instituição em situação grave, embora não haja, até o momento, elementos para tornar Gonet alvo de investigação.

