O Google lança no dia 1º de outubro o satélite MVP, um protótipo experimental que integra o Projeto Suncatcher, iniciativa para instalar data centers de inteligência artificial em órbita. O equipamento será acoplado a um foguete Falcon 9, da SpaceX, na Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia, para testar a viabilidade de processamento espacial.
O satélite, com dimensões semelhantes às de uma geladeira, abriga quatro chips especializados conhecidos como TPUs (Tensor Processing Units). A capacidade de processamento equivale a um único servidor de data center terrestre, com painéis solares que fornecerão cerca de 1 quilowatt de energia. O sistema responderá a consultas simples de IA e deve operar por um ano, embora permaneça na órbita terrestre por até seis anos.
O projeto surgiu da proposta de Blaise Agüera y Arcas, vice-presidente do Google, para enfrentar o crescente consumo de energia dos sistemas de IA e as limitações físicas de data centers em terra. Para viabilizar a operação, a empresa desenvolveu um sistema de resfriamento com camadas de alumínio e cobre que dissipam o calor diretamente para o vácuo, já que ventiladores convencionais não funcionam no espaço.
Testes realizados em fevereiro de 2025 no Crocker Nuclear Laboratory, na Califórnia, submeteram os componentes a doses de radiação equivalentes a cinco anos de exposição orbital. A apuração indica que a radiação causou falhas no código binário, conhecidas como bit flips, mas a maioria dos erros foi corrigida com a simples reinicialização dos chips.
James Manyika, vice-presidente sênior de pesquisa do Google, afirmou que as expectativas são moderadas e que a empresa não espera ter nada totalmente operacional nos próximos anos. Ele comparou a fase atual do projeto aos primeiros esforços da companhia no desenvolvimento de carros autônomos.
O Google planeja lançar dois novos satélites no próximo ano e estuda frotas com mais de 80 unidades em formação. A empresa estima que os custos de data centers orbitais se equiparem aos terrestres em meados da década de 2030, acompanhando a queda nos preços de lançamentos espaciais.


