O Google lançará, no dia 1º de outubro, um satélite experimental equipado com chips de inteligência artificial para testar a viabilidade de infraestruturas de computação no espaço. O protótipo, batizado de MVP, será transportado por um foguete Falcon 9, da SpaceX, como parte da iniciativa Project Suncatcher.
O equipamento conta com quatro unidades de processamento tensorial (TPUs), chips desenvolvidos pela empresa para tarefas de IA, e painéis solares com capacidade de gerar cerca de 1 quilowatt de potência. A missão inicial não prevê um data center completo, mas busca analisar a resistência dos componentes a vibrações de lançamento, radiação e oscilações de temperatura.
Testes prévios indicam que as TPUs suportam forças entre 50 e 100 vezes a gravidade terrestre e resistem a doses de radiação superiores às previstas para missões de cinco anos. No vácuo, onde ventoinhas não funcionam, o projeto utilizará tubos de calor e radiadores para dissipar a temperatura dos chips.
Travis Beals, diretor sênior do Project Suncatcher, informou que as TPUs operarão por cerca de 15 minutos antes de precisarem ser desligadas para resfriamento. Durante esse período, o satélite realizará consultas simples de inteligência artificial. O dispositivo deve permanecer em operação por um ano, embora possa orbitar por até seis anos.
A estratégia de longo prazo prevê o lançamento de outros dois satélites em 2027, com testes de comunicação via lasers. O objetivo futuro é transportar dezenas de TPUs para processar cargas maiores de IA, aproveitando que satélites em órbita terrestre baixa podem gerar até oito vezes mais energia solar que instalações terrestres.
James Manyika, vice-presidente sênior de pesquisa do Google, afirmou que um sistema operacional em larga escala ainda levará tempo para ser desenvolvido.

