O Google lançará, no dia 1º de outubro, um satélite capaz de executar tecnologias de inteligência artificial no espaço. O equipamento, transportado com auxílio da SpaceX e da Planet Labs, consiste em um único servidor equipado com quatro unidades de processamento tensorial (TPUs), funcionando como um teste inicial para a criação de data centers orbitais.
A estratégia visa conectar múltiplos satélites menores para que operem como um grande centro de processamento. Segundo Brandon Lucia, professor de engenharia elétrica e de computação da Carnegie Mellon University, a ideia não é enviar instalações gigantescas em foguetes, mas utilizar computadores eficientes com links de rádio.
A migração para o espaço busca solucionar a escassez de terrenos e a alta demanda de energia elétrica na Terra. Blaise Aguera y Arcas, vice-presidente do Google, afirmou que a progressão do consumo energético atual é preocupante para o meio ambiente. O plano prevê a instalação em órbita sincronizada com o Sol, permitindo que painéis solares capturem energia continuamente.
Apesar do potencial, a viabilidade técnica enfrenta obstáculos. A radiação solar pode alterar cálculos matemáticos dos chips e o impacto do lançamento a cerca de 27 mil km/h pode danificar o hardware. Além disso, o vácuo do espaço impede o resfriamento por convecção, método usado em terra com ar ou líquidos.
Para dissipar o calor, a empresa precisará desenvolver dispositivos que irradiem ondas eletromagnéticas. James Manyika, vice-presidente sênior de pesquisa do Google, informou que ainda há muita ciência e engenharia a serem desenvolvidas. Especialistas estimam que a implementação de data centers significativos no espaço possa levar dez anos ou mais.


