O Google ultrapassou a marca de 1 bilhão de usuários mensais em seu modo de IA, integrado à ferramenta de busca, segundo a empresa. A funcionalidade, que transforma consultas em conversas com chatbot, rivaliza com o ChatGPT e tem mudado o comportamento de usuários e criadores de conteúdo online.
A integração da IA à busca do Google começou em 2024, com os resumos gerados automaticamente no topo dos resultados, os chamados AI Overviews. Eles agora aparecem em 40% das buscas nos Estados Unidos, de acordo com a Similarweb. Pesquisa do Pew Research Center, realizada no verão americano, indicou que 60% dos norte-americanos leem esses resumos, contra 49% que usam chatbots.
O modo de IA, acessível por um botão na página inicial do Google ou pela barra “Ask Anything”, leva os usuários a um ambiente de conversa. Kevin Indig, estrategista e autor da newsletter Growth Memo, afirma que, nesse modo, as consultas são três vezes mais longas que as buscas tradicionais, e os usuários demonstram alta confiança nas respostas, clicando pouco em links externos.
“É uma loucura: eles recebem uma resposta e mal se esforçam para verificar se está correta”, disse Indig. “Isso significa pouquíssimos cliques.” O executivo Robby Stein, vice-presidente de produto do Google Search, diz que, para usuários mais velhos, “essa é a primeira vez que experimentam IA” e que a empresa busca oferecer uma experiência natural e fácil de entender.
O impacto já é sentido por editores e varejistas. Dados da Similarweb analisados pela imprensa mostram que o tráfego dos 100 maiores sites de notícias dos EUA caiu de 70 milhões de visitas em 2024 para 47,6 milhões em julho. Estudo da Ahrefs associou os AI Overviews a uma redução de 58% na taxa de cliques em resultados de busca.
Documentos judiciais recentemente divulgados na ação da The New York Times contra OpenAI e Microsoft revelam preocupações das empresas com um “ciclo de destruição” que prejudicaria modelos de IA e editores. Stein afirma que um ecossistema saudável de publicadores é “de importância primordial” e que o Google tem aumentado os links em seus conteúdos.
Gene Munster, sócio-gerente da Deepwater Asset Management, compara a situação à disputa entre Snapchat e Instagram: o Google, como o Instagram, tem a vantagem de já possuir uma base massiva de usuários. “As gerações mais jovens preferem o ChatGPT, mas, quando pesquisam produtos, voltam ao Google”, diz Indig.


