O Palácio do Planalto anunciou, nesta quinta-feira (17), um reajuste de 15% no valor do Bolsa Família. A medida eleva o piso do programa de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio passa de R$ 675 para R$ 777, em um momento de queda de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em pesquisas de intenção de voto.
As discussões sobre o aumento foram tratadas como “segredo de Estado” por um círculo restrito do primeiro escalão. Assessores próximos foram informados sobre o conteúdo do anúncio apenas instantes antes da divulgação. Segundo o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, a ordem de sigilo ocorreu porque não havia segurança exata sobre o momento do anúncio.
O governo remanejou R$ 5,8 bilhões para viabilizar a ampliação do benefício a partir de outubro. A brecha fiscal foi identificada após dados preliminares da execução do Orçamento, relativos ao relatório bimestral, apontarem saldo positivo na meta de zerar a fila da previdência. A Advocacia-Geral da União (AGU) foi consultada para evitar possíveis reveses na Justiça Eleitoral.
A decisão ocorre a 17 dias do primeiro turno das eleições. Levantamentos da Quaest, divulgados na segunda-feira, indicam que o apoio a Lula entre eleitores que ganham até dois salários-mínimos caiu de 49% para 45% entre 7 e 14 de setembro. No mesmo período, o candidato Flávio Bolsonaro cresceu de 18% para 22% nesse público.
O candidato Flávio Bolsonaro afirmou que o reajuste demonstra “desespero” do presidente, alegando que Lula sabe que já perdeu a disputa. Parlamentares do Centrão também interpretaram a medida como uma tentativa da campanha petista de ganhar fôlego diante da pressão eleitoral e de crises institucionais envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).
A cúpula do Congresso foi informada sobre a edição do decreto antes da divulgação pública. Embora a medida não precise de aprovação do Legislativo, deputados e senadores podem apresentar projetos para sustar os efeitos do decreto. A avaliação de governistas é que tal proposta dificilmente avançaria por se tratar de uma medida popular.
Wellington Dias rebateu as críticas de que a ação seria eleitoreira. O ministro afirmou que a maioria da população compreende que repassar a inflação para a renda de quem mais precisa é justo.


