O governo federal prevê que as despesas primárias cheguem a 19,55% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, o maior patamar desde 2020. A estimativa consta no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do quarto bimestre, divulgado nesta quinta-feira (24) pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento.
A equipe econômica estima agora R$ 2,667 trilhões em despesas primárias para este ano, valor R$ 22,1 bilhões superior ao projetado no relatório de julho. O índice supera os registros de 2019 (19,52%) e 2023 (19,46%), além de representar uma alta de 0,75 ponto percentual comparado a 2025 (18,8%).
O aumento é justificado, principalmente, por créditos extraordinários previstos em R$ 44 bilhões. Esses recursos financiam subsídios ao diesel e à gasolina implementados desde março para conter a alta do petróleo, provocada pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã iniciado em fevereiro.
Tais despesas ficam fora do limite do arcabouço fiscal, mas impactam a meta fiscal por integrarem o resultado primário. Por isso, a previsão de déficit primário subiu para R$ 80,9 bilhões (0,59% do PIB), contra a projeção de R$ 52 bilhões feita em julho.
Mesmo com descontos de R$ 67,3 bilhões, incluindo parte dos precatórios, o resultado final indica um déficit de R$ 13,6 bilhões, valor abaixo do limite inferior da meta, que é déficit zero. Para compensar a diferença, o governo anunciou um contingenciamento de R$ 13,6 bilhões.
A contenção total de despesas soma R$ 16,1 bilhões, considerando que o bloqueio exigido pelo limite de gastos caiu de R$ 17,9 bilhões para R$ 2,4 bilhões. O decreto com o detalhamento dos cortes por ministério será publicado até 30 de setembro.

