A base do governo no Senado desistiu de levar ao plenário, nesta quarta-feira (2), a proposta que extingue a escala de trabalho 6×1. A decisão ocorreu após a avaliação de que o esvaziamento da casa impediria a obtenção dos 49 votos necessários para a aprovação do texto.
O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, informou que a base estimava contar com 53 ou 54 votos favoráveis. No entanto, afirmou que o número não oferecia margem suficiente diante da ausência de parlamentares. O senador disse que houve um movimento bem-sucedido e uma ação coordenada da oposição, com participação de Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho.
A desistência aconteceu após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, questionar os governistas sobre a possibilidade de alcançar a votação necessária. A proposta havia sido aprovada de forma simbólica na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no mesmo dia. Dos 27 senadores presentes no colegiado, quatro votaram contra: Hamilton Mourão, Tereza Cristina, Jaime Bagattoli e Rogério Marinho.
O texto da PEC 221/2019 estabelece dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução salarial. A medida também propõe a diminuição da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, com um período de transição de 14 meses. Para ser concluída, a matéria precisa de 49 votos em dois turnos.
A votação agora deve ocorrer após o primeiro turno das eleições, com novo esforço concentrado do Congresso previsto para a segunda semana de outubro. Paralelamente, Rogério Marinho apresentou proposta alternativa que mantém a escala 6×1 e o limite de 44 horas, sugerindo remuneração conforme as horas trabalhadas e negociação direta entre patrões e empregados.

