O governo Trump intensificou as investigações sobre votos de não cidadãos nos Estados Unidos, mas os resultados até agora indicam que o problema é raro. Desde janeiro de 2025, o Departamento de Segurança Interna (DHS) abriu 1.600 casos de fraude eleitoral, com 160 prisões, segundo atualização divulgada na semana passada.
O número de prisões representa cerca de 0,00009% dos aproximadamente 174 milhões de eleitores registrados no país. Os dados, divulgados por autoridades federais, contrastam com as alegações do presidente Donald Trump de que centenas de milhares de não cidadãos estariam registrados ilegalmente.
Em Nevada, autoridades eleitorais estaduais informaram que, após revisar 185 casos sinalizados pelo DHS como suspeitos de votos ilegais, todos eram de cidadãos americanos. O secretário de Estado de Nevada, Francisco Aguilar, classificou as acusações federais como “chocantemente pouco profissionais”.
O governo Trump tem pressionado estados a entregarem listas de eleitores e ameaçou cortar financiamento ou processar autoridades que não cumprirem as exigências. Mais de 30 processos foram movidos pela administração para acessar os cadastros, dos quais 25 foram arquivados.
Na segunda-feira (28), um juiz bloqueou a retenção de fundos federais de combate ao terrorismo para estados que não atendessem às demandas sobre práticas eleitorais. A Suprema Corte, no entanto, permitiu na semana passada o uso de uma versão reformulada do banco de dados SAVE para verificação de elegibilidade de eleitores.
Um relatório de denunciante, tornado público por senadores democratas, alega que agentes do DHS podem ter usado métodos ilegais para acessar registros de eleitores. O governo defendeu seus métodos em declarações à imprensa.
Justin Levitt, ex-assessor sênior da Casa Branca para democracia e direitos de voto no governo Biden, afirmou que “o que a administração está tentando é sem precedentes”, já que os estados têm autoridade constitucional para conduzir suas próprias eleições.

