A França enfrenta um dia de forte tensão social nesta terça-feira (29), com greve de funcionários públicos e confrontos entre estudantes e polícia em Paris, a dois dias da apresentação do orçamento federal e a poucos meses das eleições presidenciais, nas quais a extrema direita lidera as pesquisas de intenção de voto. Segundo a prefeitura, cerca de 30 mil manifestantes saíram às ruas na capital.
Mais de 170 manifestações foram convocadas em todo o país para exigir reajuste dos salários do funcionalismo, corroídos pela inflação, e mais recursos para a administração pública. O sindicato CGT fala em 300 mil participantes no total, sendo 70 mil em Paris.
A pauta inclui perda do poder aquisitivo, quadros insuficientes de servidores, condições de trabalho deterioradas e precariedade diante de cortes orçamentários. Desde 2017, o índice salarial dos funcionários públicos teve reajuste total ligeiramente superior a 5%, enquanto a inflação acumulada no período deve chegar a 24,17% no fim de 2026, segundo o Insee.
Estudantes do ensino médio protestam desde a semana passada por melhores condições na educação. Nesta terça-feira, grupos de adolescentes atearam fogo em contêineres de lixo e lançaram objetos contra policiais, que responderam com cassetetes e gás lacrimogêneo. Os distúrbios deixaram 40 detidos e 10 feridos entre estudantes e funcionários públicos.
O Ministério da Educação informou que 338 escolas foram afetadas por manifestações ou perturbações desde o início da manhã, com 40 bloqueadas e outras 44 com tentativas de bloqueio.
Mathilde Bourgain, professora de física de 47 anos em um colégio de ensino médio, participou do protesto em Paris com um coletivo de professores e pais. “Estamos cansados, todos temos a impressão de que o ensino público é mais afetado do que o privado”, disse. Ela relatou que turmas do primeiro ano foram retiradas em sua escola e que professores são obrigados a trabalhar em vários estabelecimentos.
Nadia M’Dahoma, de 45 anos, mediadora de alunos com deficiência, recebe cerca de 1.000 euros por mês por 24 horas semanais. “Não temos formação e nos pedem que sejamos às vezes psicólogos, às vezes assistentes sociais, às vezes mães”, afirmou.


