O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (14) que os contratos da Sabesp, da CPTM e dos pedágios free flow foram mal feitos. Em entrevista, o político declarou que pretende revisar os acordos caso seja eleito, utilizando metodologia de renegociação de cláusulas e aplicação de multas.
Haddad citou a experiência como ministro da Fazenda, quando um acordo com a Vale teria recuperado R$ 4 bilhões para os cofres públicos, como base para a estratégia de governo. A revisão seria conduzida por uma equipe técnica e poderia resultar na judicialização dos contratos em último caso.
Sobre a Sabesp, o candidato criticou o aumento das tarifas e o recorde de reclamações no Procon. Questionado se reduziria a conta de água, Haddad disse que a medida dependeria da revisão das cláusulas de reajuste do contrato.
A privatização da CPTM também foi alvo de críticas, com a alegação de que as falhas nos serviços subiram 27% após a concessão. Quanto ao free flow, Haddad afirmou que o governador Tarcísio de Freitas adiou a implementação para 1º de janeiro de 2027 para evitar desgaste eleitoral, o que poderia gerar novas despesas e indenizações ao Estado.
O candidato afirmou que o governo atual pagou cerca de R$ 7 bilhões em indenizações a concessionárias, sendo R$ 3,5 bilhões destinados ao metrô e R$ 2,5 bilhões para compensar a queda de arrecadação de pedágios na pandemia. Ele declarou que a reserva estadual caiu de R$ 23 bilhões para R$ 5 bilhões, deixando o Estado com caixa para apenas uma semana.
A assessoria de Tarcísio de Freitas contestou as declarações e afirmou que a crítica ignora resultados concretos. O governo informou que, no primeiro ano, 2,4 milhões de pessoas tiveram acesso à água e 4,7 milhões de famílias foram beneficiadas com tratamento de esgoto, fruto de um investimento de R$ 15 bilhões em 2025. A nota diz ainda que o modelo de trilhos funciona e que o free flow traz justiça tarifária.

