O advogado norte-americano Harris Pogust solicitou a retirada de seu nome do escritório Pogust Goodhead (PG), em Londres, nesta quarta-feira (23). A banca representa as vítimas do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em processo contra a mineradora BHP na Justiça britânica.
Pogust, que fundou a firma em 2018 com Tom Goodhead, deixou a sociedade em dezembro de 2024. Em publicação no Linkedin, o advogado criticou a possibilidade de o PG exigir pagamentos de vítimas que decidam mudar de escritório. Ele mencionou que a renda média no Brasil é de pouco mais de US$ 10 mil por ano e questionou a ameaça de processar clientes que confiaram na banca.
Tom Goodhead, afastado da função de CEO em agosto de 2025 e desligado da firma em setembro do mesmo ano, informou em nota que apoia a decisão do ex-sócio. Goodhead afirmou que prepara medidas judiciais no Reino Unido e já obteve decisão no Brasil, em junho de 2026, que impede o uso de seu nome no país.
O escritório PG declarou que planeja a mudança de nome e não pretende manter vínculos com quem não integra mais a estrutura da firma. Sobre a troca de advogados, a banca afirmou que cada cliente tem o direito de escolher sua representação, mas que a mudança coletiva decidida por um comitê pode resultar em custos contratuais e financeiros.
Atualmente, o PG e o Bailey Glassler International (BGI) disputam a representação das vítimas. O BGI contratou Goodhead e outros seis advogados egressos do PG no dia 17 de setembro. O comitê de representantes das vítimas decidiu transferir a representação para o BGI, mas há controvérsia se a medida atinge quem não integra o grupo.
O Tribunal Superior de Londres decidiu, em novembro de 2025, que a BHP é culpada pelo desastre de 2015. Uma audiência ocorrerá nos dias 5 e 6 de outubro de 2026 para definir a condução do caso. O cálculo das indenizações, estimadas em £ 36 milhões (cerca de R$ 247 milhões), começará em 2027 e deve durar vários anos.


