Rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, tomaram a cidade portuária de Moca e a ilha de Zuqar nesta quinta-feira (10), no Iêmen. O avanço coloca o grupo em posição estratégica próxima ao Estreito de Bab el-Mandeb, rota crucial para as exportações de petróleo da Arábia Saudita após o bloqueio do Estreito de Ormuz.
A Arábia Saudita, aliada do governo iemenita, respondeu com dezenas de ataques aéreos utilizando caças F-15 e Typhoon para tentar conter o avanço insurgente. A Defesa Civil saudita chegou a emitir alertas de emergência nas cidades de Abha e Khamis Mushait, embora as medidas tenham sido suspensas pouco tempo depois.
O Estreito de Bab el-Mandeb liga a Ásia à Europa via Mar Vermelho e Canal de Suez, separando o Iêmen do Chifre da África. Desde o início da guerra no Oriente Médio, Riade redirecionou suas exportações para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho. O volume médio de embarques por Yanbu chegou a 3,8 milhões de barris por dia entre março e julho, mas caiu para 1,5 milhão em agosto, após a retomada de ataques dos houthis a navios sauditas.
Entre janeiro e agosto de 2026, o tráfego pelo Canal de Suez representou pouco mais da metade do nível anterior à crise, segundo dados do PortWatch do Fundo Monetário Internacional (FMI). O Estreito de Bab el-Mandeb era responsável por 12% do fluxo global de petróleo em 2023, conforme a Administração de Informação Energética dos EUA (EIA).
Testemunhas relataram a entrada dos combatentes em Moca com gritos contra os Estados Unidos e Israel. Segundo fonte militar, a conquista da ilha de Zuqar ocorreu após ataques com foguetes e operação terrestre com embarcações. O Instituto para o Estudo da Guerra afirma que os houthis pretendem aumentar o custo político e econômico para forçar o fim das operações militares sauditas.
O mercado de energia reagiu à instabilidade nesta quinta-feira (10). O petróleo Brent superou a marca de US$ 107 o barril, o maior valor registrado desde maio. Andreas Krieg, especialista em segurança do King’s College London, afirmou que a incerteza persistente é o maior perigo, mais do que o fechamento físico da passagem.

