O avanço da inteligência artificial (IA) nos aplicativos de namoro pode transformar a forma como as pessoas se comunicam e criam laços, alerta o especialista Álvaro Machado Dias. A discussão ganhou força após o Google apresentar um recurso do Gemini capaz de fazer chamadas em nome do usuário, inicialmente nos Estados Unidos.
O debate sobre a presença da IA nas relações ganhou novos contornos depois que o Google apresentou um recurso experimental do Gemini capaz de realizar chamadas telefônicas em nome do usuário. A ferramenta, testada inicialmente nos Estados Unidos, pode entrar em contato com restaurantes, clínicas e outros estabelecimentos para tarefas como agendamentos e reclamações.
“A coisa começa no transacional, no telefone para resolver um problema, mas ela termina onde as emoções são incômodas”, analisou o especialista em IA e colunista Álvaro Machado Dias.
Dados citados pela imprensa local indicam que 60% dos solteiros entrevistados pela Norton afirmaram já ter recebido uma mensagem produzida por IA. O projeto Singles in America, do Instituto Kinsey, registrou aumento de 333% no número de pessoas que declararam usar IA em interações em aplicativos de paquera, na comparação entre um ano e outro.
Na avaliação de Machado Dias, esse movimento pode fazer com que parte das relações passe a ser inicialmente mediada por ferramentas de IA, deixando a interação direta entre as pessoas para uma etapa posterior.
O especialista também chamou atenção para a possibilidade de usuários se tornarem dependentes da IA para elaborar mensagens e organizar a própria forma de se expressar. Para ele, embora a tecnologia ofereça benefícios, o uso excessivo pode contribuir para uma perda de autonomia na comunicação.
“É muito provável que haja uma contribuição para que as pessoas também desaprendam a falar, a se comunicar de maneira relevante do ponto de vista da conexão humana”, afirmou.


