Um projeto que integra biotecnologia, inteligência artificial e análise de dados busca identificar os fatores que influenciam a geração de metano em aterros sanitários. A iniciativa, desenvolvida no âmbito do projeto INT 14/2023 e com fomento da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), será aplicada em um aterro real.
A pesquisa, conduzida por Álvaro Freitas, foca nos poços de captação que apresentam baixa produtividade. O sistema utiliza algoritmos de machine learning para analisar dados do aterro e determinar a quantidade exata de um composto capaz de estimular as bactérias responsáveis pela produção de metano.
Segundo Freitas, a produção de biogás varia entre diferentes áreas de um mesmo aterro. Fatores como a umidade, características dos resíduos, condições físicas do local e a presença de microrganismos influenciam diretamente o volume de gás produzido.
Para solucionar a variação, o projeto cria um banco de dados com informações químicas, físicas e geomecânicas dos aterros, além do mapeamento de microrganismos. A tecnologia visa separar as variáveis mais importantes para definir a aplicação controlada de metais de transição, que estimulam as bactérias metanogênicas durante a decomposição da matéria orgânica.
O aumento da captação de biogás amplia a capacidade de gerar energia elétrica ou produzir biometano, combustível renovável. Para os operadores dos aterros, a otimização do processo pode representar uma nova fonte de receita econômica.
A estrutura do projeto prevê a implantação de um laboratório experimental e computacional. Também será desenvolvido um sistema de monitoramento remoto para acompanhar o desempenho dos poços, com o objetivo de criar uma tecnologia escalável e adaptável a diferentes aterros sanitários.

