A prévia do Produto Interno Bruto (PIB), medida pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), recuou 0,22% em julho. O resultado, divulgado nesta quarta-feira (16), aponta para uma perda de dinamismo da economia brasileira no início do terceiro trimestre, coincidindo com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic.
O indicador registrou queda pelo segundo mês consecutivo, após retração de 0,64% em junho. Na comparação com julho de 2025, o IBC-Br avançou 1,14%, enquanto o acumulado de 12 meses apresenta alta de aproximadamente 1,5%. Segundo Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, a série ajustada ainda opera próxima ao nível mais elevado de sua história, o que indica algum grau de resiliência econômica.
A composição de julho revela recuos em diferentes setores. A agropecuária caiu 1,15% e a indústria recuou 0,40%. O setor de serviços teve variação de -0,01%, permanecendo estável sem recuperar a perda do mês anterior. Os impostos também registraram queda de 0,16%. A média móvel trimestral passou de uma retração de 0,1% em junho para queda de 0,3% em julho.
O cenário de desaceleração ocorre paralelamente à perda de força da inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou 0,32% em agosto, com a taxa acumulada em 12 meses caindo para 4,22%. O Boletim Focus de 14 de setembro projetava inflação de 4,90% para 2026 e Selic de 13,75% ao ano no fim do ano.
O mercado espera que o Copom reduza a Selic em 0,25 ponto percentual, levando a taxa de 14% para 13,75% ao ano. Pablo Spyer, conselheiro da Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários (Ancord), afirmou que o IBC-Br amplia o espaço para esse corte, mas ressaltou que a sinalização para as próximas reuniões é mais relevante que a decisão imediata.
Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, avalia que o PIB deve apresentar crescimento próximo da estabilidade no terceiro trimestre. A Genial projeta alta de 0,1% do PIB no período e crescimento de 1,7% para o ano de 2026. A decisão do Copom será divulgada nesta quarta-feira (16), a partir das 18h30.


