O Ibovespa recua nesta quarta-feira (16) em dia de definições sobre a política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. A queda, que atingiu 0,94% com o índice aos 184.753,98 pontos, reflete a desvalorização do petróleo e a instabilidade institucional no Supremo Tribunal Federal (STF).
A baixa é liderada por ações de primeira linha, com forte pressão de investidores estrangeiros. O movimento é confirmado pela queda de 0,73% no EWZ, principal fundo de índice de ações brasileiras negociado em Nova York. Papéis do setor de petróleo registram recuo de cerca de 2%.
No STF, o ministro Flávio Dino pediu vista para interromper um julgamento que estava empatado em 4 a 4, alegando a necessidade de mais tempo para análise devido à hostilidade entre os magistrados. Silvio Campos Neto, economista-sênior da Tendências Consultoria, informou que o impasse pode ser interpretado como negativo para a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e favorecer a oposição.
Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset Brasil, afirmou que o imbróglio pode prejudicar o presidente na margem das intenções de voto. Para a economista, as próximas pesquisas eleitorais serão decisivas para avaliar se o fortalecimento de nomes da oposição se mantém.
O mercado aguarda ainda as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom), às 18h30, e do Federal Reserve (Fed), às 15h. No Brasil, a expectativa é de que a taxa Selic seja cortada para 13,75%, vinda de 14%. A projeção ocorre após o Banco Central divulgar que o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) caiu 0,22% em julho.
Nos Estados Unidos, vendas do varejo mais fortes em agosto reforçam a possibilidade de alta nos juros, segundo Costa. O giro financeiro na B3 pode superar a média de R$ 15 bilhões nesta quarta devido ao vencimento de opções sobre o Ibovespa.


