O Ibovespa opera em baixa na manhã desta terça-feira (29), pressionado pela queda das commodities e pela cautela com a disputa eleitoral. Por volta das 11h31, o índice caía 0,59%, aos 181.979,41 pontos, após abrir em 182.993,14 pontos. O recuo acompanha o movimento das bolsas de Nova York.
Os contratos futuros de petróleo recuam mais de 1%, enquanto o minério de ferro caiu 0,78% em Dalian, na China. A queda das commodities pesa sobre ações de empresas como Vale e Petrobras, que cediam 2,14% e até 0,87%, respectivamente.
No radar dos investidores está a disputa eleitoral acirrada para a Presidência. Pesquisa Atlas divulgada nesta terça mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 45,3% das intenções de voto no primeiro turno, contra 42,2% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Em eventual segundo turno, os dois aparecem tecnicamente empatados: 47,7% para o candidato do PL e 47,6% para o atual presidente.
“Vejo o Ibovespa como uma balança. De um lado, tem o exterior. De outro, o Brasil, com alguns pontos que começaram a efetivamente fazer preço, principalmente a eleição”, diz Leonardo Mendes, consultor financeiro da Manchester Investimentos.
João Oliveira, head da mesa de operações do Banco Moneycorp, afirma que a cautela fiscal mantém a Bolsa na defensiva. Ele cita o aumento do Bolsa Família, que pode gerar custo de mais de R$ 20 bilhões em 2027, e a proibição das bets, que pode fazer o governo deixar de arrecadar cerca de R$ 12 bilhões. “Tudo isso representa piora fiscal. E eleição está neste contexto”, diz.
No Brasil, o IGP-M subiu 1,57% em setembro, após recuar 0,22% em agosto. A alta veio acima da mediana das expectativas, de 1,54%. A taxa de desocupação ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, em linha com o esperado.
“Uma economia com mercado de trabalho aquecido tende a sustentar o consumo e a demanda, dificultando assim uma convergência mais rápida da inflação, limitando uma flexibilização monetária mais rápida”, afirma Leonardo Brito, economista da Olimpo Investimentos.
Nos Estados Unidos, o rendimento dos Treasuries de 10 anos atingiu o maior nível em duas décadas, ampliando preocupações com a inflação global.


