O Ibovespa encerrou a sessão desta quinta-feira (24) com queda de 0,99%, fechando aos 183.965,91 pontos. O resultado reflete o avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e a preocupação de investidores com o cenário fiscal brasileiro, com volume financeiro total de R$ 26,89 bilhões.
No mercado externo, o rendimento do Treasury de 10 anos subiu para 5,2209%, contra 5,114% na véspera. Segundo a estrategista de ações Rebecca Nossig, da Nomad, a alta dos juros de longo prazo nos EUA atrai capital global para a renda fixa norte-americana, reduzindo a liquidez em mercados emergentes como o Brasil.
No plano interno, o analista de renda variável Felipe Cima, da Manchester Investimentos, citou o relatório de avaliação fiscal do governo como fator negativo. O documento indica gastos acima do esperado e piora na previsão do déficit fiscal para 2026, além de reduzir a necessidade de contenção de verbas de ministérios de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões.
O cenário político também influenciou a volatilidade. Investidores aguardavam nova pesquisa Datafolha sobre a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O gestor Luis Stuhlberger, da Verde Asset Management, afirmou que a vitória de Flávio poderia causar forte impacto na bolsa, enquanto a reeleição de Lula seria menos negativa.
As ações da RD Saúde (RADL3) despencaram 5,38% após o Mercado Livre anunciar a expansão do varejo farmacêutico no país. Já a Yduqs (YDUQ3) subiu 2,95% devido ao anúncio de fusão com a Afya para criar a maior empresa de ensino de medicina do Brasil.
No setor de commodities, a Vale (VALE3) recuou 1,15%, acompanhando mineradoras no exterior. A Petrobras registrou queda nas ações PN (0,69%) e ON (0,86%), apesar da alta de 3,41% do petróleo Brent, que fechou a US$ 106,60 por falta de progressos diplomáticos entre EUA e Irã.

