O Ibovespa chega à última semana antes do primeiro turno das eleições com menos força do que carregava no início de setembro. Depois de uma recuperação que levou o índice dos 164 mil aos 189 mil pontos em menos de um mês, a Bolsa perdeu velocidade e encerrou a sexta-feira (25) aos 183.476 pontos, acumulando queda de 0,95% na semana.
O recuo não apaga o movimento anterior. O Ibovespa ainda sobe 3,41% em setembro e 13,87% em 2026, enquanto os investidores estrangeiros acumulam entrada líquida de R$ 8,97 bilhões no mês e R$ 27,26 bilhões no ano, até 23 de setembro.
A fotografia é, portanto, de uma Bolsa que perdeu impulso, mas ainda preserva parte importante da recuperação iniciada em agosto. Ao mesmo tempo, a proximidade das urnas aumenta o peso da política sobre um mercado que já vinha convivendo com dúvidas fiscais, fluxo de capital e um ambiente externo menos linear.
O primeiro turno será realizado no próximo domingo, 4 de outubro, e o mercado terá apenas cinco pregões para absorver novas pesquisas, movimentos da campanha e informações econômicas antes da votação. Na disputa presidencial, o Datafolha divulgado na quinta-feira (24) mostrou Luiz Inácio Lula da Silva com 40% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro, com 36%, diferença no limite da margem de erro de dois pontos percentuais.
A reta final ganhou ainda uma nova dimensão para o mercado com medidas anunciadas pelo governo nas últimas semanas. O reajuste do Bolsa Família, a nova etapa do Desenrola e a proibição das apostas on-line têm impacto potencial de até R$ 42,3 bilhões sobre as contas públicas do próximo mandato, considerando aumento de despesas e perda de arrecadação. Os valores ainda não estavam previstos no Orçamento de 2027.
Em análise ao InfoMoney, Aliakyn Pereira e Ross, analistas técnicos da XP, afirmaram que trabalham com dois cenários para o índice. Para eles, a recuperação iniciada em agosto ainda não foi desmontada, mas os 180.800 pontos precisam continuar preservados. Do outro lado, a retomada mais clara depende da superação dos 189.500 pontos.
O fechamento de sexta-feira, porém, aumentou a relevância da parte inferior dessa faixa. A bolsa caiu 0,25% e terminou a semana com quase 1% de perda. Além dos 180.800 pontos destacados na análise estrutural, a atualização de curto prazo coloca os 183.240 pontos como primeira referência de suporte — praticamente no mesmo nível dos 183.476 pontos do último fechamento.


