O Ibovespa encerrou setembro com alta de 5,03%, a maior valorização mensal desde janeiro de 2026, impulsionado pela expectativa de juros menores no Brasil e pela reavaliação dos riscos domésticos pelos investidores. Nesta quarta-feira (30), último pregão do mês, o índice subiu 1,37%, aos 186.340,46 pontos.
O dólar recuou 0,69%, a R$ 5,18, o que ajudou a impulsionar os ganhos dos ativos brasileiros. A combinação de Bolsa em alta, moeda americana mais fraca e recuo das taxas domésticas marcou boa parte do mês, em meio à reavaliação dos cenários para juros e eleição.
Para Marcos Bassani, especialista em investimentos e sócio da AW Capital, setembro esteve inserido em um trimestre com disputa intensa entre fatores positivos e negativos. Houve expectativa de queda dos juros e melhora de indicadores de inflação, mas preocupações fiscais e eleitorais, além da influência dos juros americanos, dólar e petróleo.
O IPCA de agosto, divulgado em 11 de setembro, registrou deflação de 0,32%, influenciado pela energia elétrica e pelos alimentos no domicílio. Em 12 meses, a inflação desacelerou para 4,22%. O dado reforçou a percepção de desinflação e as expectativas de continuidade da flexibilização monetária.
Em 16 de setembro, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo. A ata manteve comunicação dependente dos dados, interpretada por parte do mercado como compatível com reduções graduais.
Magazine Luiza (MGLU3), Vamos (VAMO3), Assaí (ASAI3) e Localiza (RENT3) figuraram entre as ações de melhor desempenho no mês, segundo o relatório. Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, avalia que o movimento foi construído sobre a expectativa de juros menores, combinada a uma melhora marginal do ambiente internacional.
Gustavo Assis, CEO da Asset, destaca que uma eventual deterioração fiscal pode manter pressionadas as taxas de médio e longo prazo. A proximidade do primeiro turno aumentou a sensibilidade dos ativos às pesquisas eleitorais. Levantamento AtlasIntel/Bloomberg de 22 de setembro mostrou cenário competitivo, com empate técnico na simulação de segundo turno.
A disparada do Brent para acima de US$ 100 por barril adicionou riscos inflacionários e colocou em dúvida até onde o Banco Central poderá avançar com os cortes da Selic. Para o Ibovespa, o efeito é ambíguo: petróleo caro pode beneficiar a Petrobras (PETR4), mas combustíveis mais caros representam risco para a inflação.


