Uma aposentada de 87 anos foi despejada de seu apartamento no bairro do Retiro, em Madri, nesta quarta-feira (23). A remoção ocorreu após a imobiliária Urbagestión Desarrollo e Inversión SL triplicar o valor do aluguel, tornando a moradia insustentável para a renda da mulher, que vivia no local desde 1956.
A empresa imobiliária exigiu um aumento de 275%, elevando o aluguel para 1.650 euros mensais. O valor anterior era de aproximadamente 500 euros, quantia que a idosa continuou pagando mesmo após a mudança de proprietário do prédio em 2018. A aposentadoria da moradora é de 1.350 euros.
A operação de despejo começou às 7h30 com o isolamento da área. Por volta das 10h45, agentes da polícia removeram com spray de pimenta vizinhos e ativistas do Sindicato dos Inquilinos que tentavam impedir a ação. Às 13h05, a mulher foi retirada do imóvel em uma maca e levada por ambulância ao hospital devido ao seu estado de saúde debilitado.
O caso mobilizou figuras públicas, artistas e o primeiro-ministro Pedro Sánchez, que classificou o episódio como uma “tragédia”. O Comitê da ONU chegou a solicitar a suspensão do processo até que houvesse uma moradia alternativa, pedido que foi ignorado por um tribunal de Madri, segundo o Sindicato dos Inquilinos.
A imobiliária recusou a oferta de um doador anônimo que se dispôs a cobrir a diferença do aluguel. De acordo com a advogada da empresa, Beatriz Duro, a proposta não foi aceita. A Urbagestión também moveu denúncia criminal contra o Sindicato dos Inquilinos e sua porta-voz, Valeria Racu, por supostos crimes de coação e difamação.
A idosa, que possui deficiência reconhecida, havia rejeitado ofertas de serviços sociais para vagas em residências públicas ou moradias assistidas. Ela afirmou à imprensa local que a única alternativa aceitável seria permanecer na casa onde viveu a vida toda.


