Uma imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada sem a cabeça na Cruz do Chilão, no bairro Santa Helena, em Cuiabá, na noite de sexta-feira (25). O estado da escultura foi registrado por uma pessoa que estava no local e posteriormente divulgado. Até a última atualização, não havia informações sobre quem danificou a imagem.
O caso ocorreu poucos dias após uma polêmica nas redes sociais envolvendo o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e uma falsa associação a um projeto sobre a santa. Flávio negou a relação em 24 de setembro, e a proposta, apresentada em 2007 pelo então deputado Professor Victório Galli, foi arquivada pela Câmara.
A Polícia Civil informou que não localizou registro da ocorrência. Após a repercussão do caso, a Arquidiocese de Cuiabá divulgou uma nota de repúdio e destacou que a Cruz do Chilão é um marco da religiosidade popular da capital mato-grossense, reunindo tradições católicas e elementos da cultura de povos de matriz africana.
“Repudiamos toda forma de intolerância religiosa, vandalismo e violência contra símbolos de fé. Reafirmamos, ainda, a importância do diálogo, do respeito, da responsabilidade na comunicação e da busca pela verdade”, afirmou a Arquidiocese. A instituição também ressaltou que a liberdade de consciência e de crença e o livre exercício dos cultos religiosos são garantidos pela Constituição e defendeu que eventuais atos de intolerância religiosa sejam apurados pelas autoridades.
A Cruz do Chilão fica entre as ruas Luiz Carlos Pinheiro e Tenente Eulálio Guerra e integra a memória histórica, religiosa e cultural de Cuiabá. Nossa Senhora Aparecida é reconhecida como Padroeira do Brasil pela Lei Federal nº 6.802, de 1980, que também estabeleceu 12 de outubro como feriado nacional para o culto público e oficial à santa.
Em março deste ano, um homem de 47 anos foi detido após ser flagrado destruindo com um machado uma imagem de Nossa Senhora Aparecida em uma capela de Jauru, a 463 quilômetros de Cuiabá. Segundo a polícia, ele afirmou ter agido a mando de espíritos e disse ter se arrependido. Na ocasião, o caso foi considerado de menor potencial ofensivo. O homem assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e foi liberado. O machado usado na ação foi apreendido.

