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Importação de aço dobra participação e setor cobra defesa comercial

Carla Fernandes
Última atualização: 29 de setembro de 2026 13:14
Carla Fernandes
Tempo: 2 min.

A penetração das importações de aço no mercado brasileiro chegou a 19%, quase o dobro do patamar histórico de 10%, e o setor defende a ampliação das medidas de defesa comercial para reverter o quadro. A avaliação é de Jorge Oliveira, vice-presidente do Instituto Aço Brasil, em entrevista durante o Congresso Aço Brasil 2026, em São Paulo.

Oliveira, que também preside a ArcelorMittal Brasil, declarou que as importações de aço saltaram mais de 150% em 2025 ante a média registrada nos 20 anos anteriores à pandemia de covid. O volume de produtos diretos importados atingiu 5,7 milhões de toneladas no ano passado, ante uma média pré-covid de 2,2 milhões.

“O arcabouço que existe hoje é o mínimo que precisa continuar”, afirmou, defendendo mecanismos adicionais como conteúdo local, salvaguardas, cotas rígidas e aceleração das investigações de dumping.

Ele avaliou que a partir do 2º trimestre de 2026 já se observa uma tendência de queda nas importações, ainda insuficiente diante do nível atual. O executivo indicou que a pressão competitiva desleal vem principalmente da China, cujo volume de produção é “gigantesco”, e declarou que o problema se estende à cadeia produtiva.

No setor automotivo, citou como exemplo a participação das importações de veículos, que chegou a quase 18% do mercado de janeiro a julho de 2026.

Para os próximos quatro anos, o setor projeta cerca de US$ 11 bilhões em investimentos. Oliveira condicionou a continuidade desse plano à melhora da competitividade. A meta é reduzir a penetração das importações para a faixa histórica de 10%.

“A gente continua investindo, mas precisa que esses mecanismos sejam mais eficientes e tragam o nível de importação para um nível adequado”, declarou.

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