Importadores de combustíveis alertam para o risco de escassez de diesel no Brasil devido à defasagem de 107% entre o preço praticado pela Petrobras e a cotação do mercado internacional. A situação ocorre em um período de aumento sazonal da demanda, tornando a comercialização do produto importado inviável.
A Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) informou que a estatal vende o combustível a R$ 3,49 por litro, valor que representa menos da metade do preço internacional. O cálculo considera o custo nas refinarias, sem contar distribuição e revenda. O preço líquido cobrado pela Petrobras às distribuidoras não sofre alteração desde 1º de junho, quando houve redução de R$ 3,65 para R$ 3,30 por litro.
O presidente da Abicom, Sergio Araújo, afirmou que a defasagem elevada paralisou o fluxo comercial. Segundo Araújo, a tendência de alta no mercado externo é impulsionada pela instabilidade no Oriente Médio, interrupções na oferta da Arábia Saudita e demanda elevada nos Estados Unidos.
O setor aguarda a regulamentação de uma Medida Provisória editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 11 de setembro. O texto prevê um incentivo de R$ 1 por litro, mas a medida depende de portaria do Ministério da Fazenda para entrar em vigor. A Petrobras declarou em nota que aguarda a portaria para avaliar o reajuste do diesel.
Dados da plataforma Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço (MDIC), mostram que o Brasil importou 8,07 milhões de toneladas de diesel entre janeiro e agosto de 2026. O volume é 11,4% menor que as 9,11 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025.
A queda nas importações coincide com o início do plantio da safra de verão de soja e milho em setembro e outubro. O período amplia o uso de máquinas agrícolas e caminhões, elevando a demanda por diesel. Como o Brasil importa mais de 25% do combustível consumido, a interrupção das operações privadas aumenta a dependência do refino nacional.


