Veículos de imprensa de diversos países repercutiram a tensão e as acusações trocadas entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (15). A repercussão ocorreu após o pedido de vista do ministro Flávio Dino adiar a conclusão do julgamento que define se será aberta a primeira investigação da história do país contra um integrante da Corte.
O julgamento avalia relatório da Polícia Federal sobre 52 mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, ao ministro Alexandre de Moraes. O jornal uruguaio El País classificou o momento como uma crise sem precedentes, citando que o tribunal é visto com desconfiança por 69% dos eleitores bolsonaristas e 30% dos eleitores de Lula.
A agência Associated Press (AP) e o Japan Times destacaram a suspensão das deliberações. A AP reportou a fala da ministra Cármen Lúcia, que se declarou triste por a Suprema Corte ter gerado intranquilidade aos cidadãos brasileiros nos últimos dias.
O britânico The Guardian descreveu a sessão como uma luta feroz às vésperas da eleição presidencial, definindo a crise como a mais grave desde o retorno da democracia nos anos 1980. O veículo citou o momento em que Moraes repreendeu André Mendonça, acusando-o de servir a um grupo político que tentou dar um golpe no país.
O jornal argentino Clarín afirmou que a Corte está dividida e em guerra para decidir se investiga Moraes por corrupção. O texto descreve o magistrado como um herói para simpatizantes de Lula por supervisionar o caso que levou à condenação de Jair Bolsonaro.
O El País também traçou perfis dos ministros. André Mendonça, indicado por Bolsonaro, foi descrito como presbiteriano e evangélico, enquanto Alexandre de Moraes foi chamado de grande inimigo do bolsonarismo.


