A crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) repercutiu na imprensa internacional nesta sexta-feira (11), com veículos estrangeiros classificando o embate entre ministros como um episódio de forte impacto institucional. As análises relacionam as divergências na Corte à proximidade das eleições de outubro e ao clima de tensão política no Brasil.
A agência Reuters definiu o cenário como a mais grave crise interna enfrentada pelo STF desde a redemocratização do País. A apuração aponta para o confronto envolvendo os ministros André Mendonça, Flávio Dino e Alexandre de Moraes, ocorrendo em um período de elevada tensão política.
Segundo a Bloomberg, o presidente do STF, Edson Fachin, adotou medidas consideradas as mais contundentes de sua gestão para tentar restabelecer o controle da Corte. A agência avaliou que o episódio pode transformar os poderes do Supremo em um tema central da disputa eleitoral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
A Associated Press (AP) informou que o tribunal cancelou a segunda sessão consecutiva nesta semana, com os trabalhos remarcados por Fachin para terça-feira (15). Na ocasião, a Corte deve decidir sobre a abertura de investigação ou o arquivamento do procedimento que apura a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
A Al Jazeera afirmou que as divergências entre os integrantes podem levar o tribunal ao centro de disputas políticas mais amplas. O veículo relacionou o momento ao processo eleitoral e aos questionamentos sobre a atuação de ministros.
Outro desdobramento noticiado pelo The Independent foi a decisão de Flávio Dino de restabelecer nos cargos Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Leandro Almada, superintendente da corporação em São Paulo. Ambos haviam sido afastados por determinação de André Mendonça.
O Washington Post associou a decisão de Mendonça ao agravamento das tensões entre o Judiciário e o governo Lula, destacando os possíveis reflexos do episódio sobre o pleito de outubro.


