A Associação Brasileira de Embalagens em Papel (Empapel) elevou para 1,9% a previsão de crescimento do setor de papel e embalagens para 2026. A revisão ocorre após a indústria apresentar desempenho acima do esperado no primeiro semestre deste ano, superando a estimativa de 0,6% divulgada pela Fundação Getulio Vargas (FGV) no fim de 2025.
O avanço é evidenciado nos dados do papelão ondulado, com a expedição acumulando alta de 3% nos seis primeiros meses do ano. Em junho, o setor registrou mais de 355 mil toneladas, volume recorde para o mês desde que a série histórica foi iniciada, em 2005.
O presidente-executivo da Empapel, José Carlos da Fonseca Junior, disse que o cenário é de “otimismo moderado”. Segundo o executivo, a demanda é resultado da combinação entre o consumo interno e as exportações, especialmente de embalagens para carnes, frutas e outros alimentos enviados ao exterior.
A indústria de alimentos teve papel central nos resultados. Fonseca Junior informou que mais de 60% da produção considerada pelo Índice Brasileiro de Papelão Ondulado (IBPO) está ligada a produtos alimentícios. Ele citou a antecipação de embarques de carne para a China, que ocorreu no início de 2026, antes da definição de uma cota anual de importação pelo governo asiático.
Apesar dos números, o setor monitora fatores que podem reduzir o consumo doméstico, como os juros elevados e o endividamento das famílias. Mudanças nos hábitos de consumo também são vistas como possíveis influências na demanda por diferentes produtos.
Sobre o mercado externo, Fonseca Junior afirmou que o Brasil não deve considerar permanente o avanço da demanda chinesa. O executivo explicou que a China amplia a própria produção e busca reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros.

