Cerca de 47% dos microempreendedores individuais (MEIs) no Brasil já utilizam ferramentas de inteligência artificial (IA) para apoiar seus negócios, segundo dados do Sebrae. A tecnologia é usada principalmente para superar limitações de capital e formação técnica, concentrando-se na criação de conteúdo para redes sociais, atividade citada por 79% desse grupo em 2025.
A ferramenta tem sido aplicada no planejamento de etapas administrativas e visuais. Em João Pessoa (PB), Alysson Christian, de 29 anos, utilizou a IA para definir a decoração e a identidade visual de sua barbearia, além de montar o plano de negócio. O empreendedor investiu R$ 15 mil na abertura do espaço e relata que a tecnologia organizou processos de gestão e marketing que ele não dominava.
O presidente do Sebrae Nacional, Rodrigo Soares, informou que 17% dos MEIs no país já operam totalmente de forma digital, realizando vendas e entregas exclusivamente on-line. Para Cássio Besarria, professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a IA aumenta a produtividade ao aproximar quem tem a ideia de quem consegue executá-la, embora possa elevar a concorrência em setores antes menos disputados.
A aplicação da tecnologia também ocorre no desenvolvimento de plataformas. Natan Valladares, de 23 anos, utilizou a IA para criar o aplicativo BoraMiga, voltado a eventos sociais para mulheres acima de 30 anos. O projeto recebeu investimento inicial de R$ 80 mil via editais de fomento para a contratação de empresa especializada, evidenciando que a ferramenta reduz o tempo de execução de tarefas, mas não substitui a necessidade de direção estratégica.
Pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) Ibre indica que, embora 87% dos MEIs tenham familiaridade com a IA, apenas 42% a utilizam efetivamente em atividades do negócio. A economista Anna Carolina Gouveia explica que o uso em microempresas foca em divulgação, enquanto empresas maiores aplicam a tecnologia em análise de dados e gestão, devido ao maior acesso a profissionais especializados.
Especialistas alertam para riscos, como a entrega de informações incorretas e a necessidade de conferir a originalidade de slogans. Pedro Burgos, fundador da Co.Inteligência, recomenda a formulação de comandos adequados e a cautela com versões gratuitas. O Sebrae orienta que dados de contabilidade e gestão financeira sejam validados por profissionais e que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) seja rigorosamente observada.


