Investigações do Ministério Público identificaram que assistências técnicas atuavam na remoção de bloqueios de ativação e alteração do IMEI de celulares roubados para viabilizar a revenda. O esquema envolvia o uso de softwares de desbloqueio remoto e a substituição física de placas-mãe para desvincular aparelhos de contas na nuvem.
A apuração apurou que a troca da placa de um aparelho bloqueado chegava a custar R$ 250. Além da revenda do hardware, criminosos tentavam utilizar aplicativos bancários das vítimas para realizar transações financeiras e obter dados pessoais para a aplicação de golpes.
Pedro Tavares, diretor de produtos e dados da CertiFace, explicou que a adulteração do IMEI — identificador único do aparelho, comparável ao chassi de um carro — não apaga todos os rastros. Segundo Tavares, a perícia pode cruzar outras camadas de identificação, como números de série e registros de fabricação mantidos por operadoras e fabricantes.
O executivo afirmou que o intervalo entre o roubo e o bloqueio é o período mais crítico, pois o dispositivo concentra e-mails, redes sociais e senhas. Ele recomendou que a vítima bloqueie rapidamente a linha e o aparelho, avise instituições bancárias, utilize o recurso Celular Seguro e registre a ocorrência policial.
Para quem compra aparelhos usados, a orientação é consultar o IMEI em bases oficiais, exigir a nota fiscal e conferir se o código na embalagem corresponde ao do dispositivo. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) alerta que notas fiscais falsas podem existir, sendo necessária a análise conjunta da procedência e do IMEI.
Tavares diferenciou as técnicas utilizadas: o desbloqueio contorna a proteção de acesso, a alteração do IMEI interfere na identidade apresentada à rede e a troca da placa substitui o componente físico principal. O diretor informou que, mesmo bloqueados, os aparelhos mantêm valor para o crime quando desmontados e vendidos como peças.


