O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou 0,32% em agosto, a maior deflação mensal registrada desde agosto de 2022, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado superou a previsão de -0,28% do mercado e reforça a possibilidade de novo corte de 0,25 ponto na taxa Selic na próxima semana.
A queda foi impulsionada por um desconto pontual nas contas de luz, referente ao bônus de Itaipu, que fez os preços da energia elétrica residencial tombarem 7,63%. De acordo com o IBGE, esta foi a maior redução desse item para o mês de agosto desde a implementação do real, em 1994.
O grupo de alimentação e bebidas também recuou 0,34%, acumulando três meses de queda. Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE, informou que houve baixas importantes em itens como batata-inglesa (-19,89%), cenورة (-11,22%), cebola (-11,07%) e tomate (-10,94%). Passagens aéreas e gasolina também registraram recuos de 13,17% e 0,59%, respectivamente.
Apesar do alívio, economistas alertam para riscos no horizonte. Cláudia Moreno, economista do banco C6, explicou que o período entre maio e agosto costuma ter preços comportados para alimentos, mas que chuvas e calor intensos na primavera e verão podem encarecer a produção. O cenário pode ser agravado por um fenômeno El Niño mais forte.
Um relatório da consultoria 4intelligence indica que os alimentos devem abandonar a deflação já em setembro, com altas esperadas em cereais, carnes e óleos. A conta de luz também deve subir este mês com o fim do bônus de Itaipu.
Sobre a política monetária, o Comitê de Política Monetária (Copom) decide a taxa básica de juros, atualmente em 14% ao ano, na reunião da próxima semana. Fábio Romão, economista da 4intelligence, afirmou que, embora o mercado de trabalho desacelere, a renda continua crescendo e o impacto do El Niño no último trimestre pode influenciar as perspectivas para os juros.


