O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve deflação de 0,32% em agosto, superando as projeções do mercado. O resultado reduziu a inflação acumulada em 12 meses de 4,44% para 4,22%, mantendo o indicador dentro do intervalo de tolerância da meta, que possui teto de 4,50%.
A queda foi impulsionada por quatro dos nove grupos pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O destaque ficou para o grupo Habitação, com recuo de 1,87%, reflexo da queda de 7,63% na energia elétrica residencial após crédito do Bônus de Itaipu. Transportes recuou 0,86%, com baixa em passagens aéreas e combustíveis, enquanto Alimentação e Bebidas cedeu 0,34%, com retrações em itens como batata-inglesa e tomate.
Por outro lado, o grupo Despesas Pessoais subiu 1,30%, impactado pelo reajuste de cerca de 20% no preço do cigarro devido ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Bens industriais avançaram 0,43%, com alta em móveis e vestuário. No setor de alimentos, as carnes voltaram a subir 0,61%, e serviços de manicure e conserto de automóveis também registraram aceleração.
Especialistas avaliam que o alívio é temporário. Volnei Eyng, CEO da Multiplike, explicou que o bônus da energia elétrica não deve se repetir. Basiliki Litvac, economista da XP, apontou que a variação dos serviços intensivos em trabalho segue em 7,18%, nível acima da meta. Diogo Guillen, economista-chefe do Itaú, alertou que o El Niño pode pressionar preços de itens in natura.
O cenário fortaleceu a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduza a taxa Selic na próxima reunião. Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, projeta um corte de 0,25 ponto percentual. André Valério, economista sênior do Inter, prevê que a Selic chegue a 13,25% em dezembro. Outros analistas, da Polo Capital e do PicPay, estimam que a taxa terminal fique em 13,50%.

