O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) emitiu parecer favorável à construção de um condomínio residencial na Avenida Presidente Antônio Carlos, no Centro do Rio. O projeto, que integra o programa Reviver Centro, foi liberado após 12 anos de discussões e alterações na proposta original.
O imóvel será erguido em um terreno de 79 mil metros quadrados, atualmente utilizado como estacionamento. A área é cercada por três bens tombados: a Santa Casa de Misericórdia, a antiga sede do Ministério da Fazenda e a Igreja de Santa Luzia.
O condomínio deve ter entre 500 e 700 apartamentos, divididos em duas torres. Para preservar a visibilidade da Santa Casa na Rua Santa Luzia, o projeto prevê um vão livre de 21 mil metros quadrados entre as edificações. As torres não poderão ultrapassar 64 metros de altura, limite baseado no prédio do antigo Ministério da Fazenda.
Otávio Grimberg, fundador e presidente da SIG Engenharia, proprietária da área, informou que o projeto já foi enviado à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDUR). Após a aprovação do órgão municipal, a estimativa é que as obras durem entre 24 e 30 meses.
A proposta original previa a construção de um prédio comercial para empresas de óleo e gás. Segundo Grimberg, a crise no setor durante a Operação Lava Jato e o esvaziamento do Centro durante a pandemia levaram a empresa a mudar o perfil do empreendimento para residencial, acompanhando o lançamento do Reviver Centro em 2021.
Em nota, o Iphan confirmou a liberação e afirmou que intervenções em áreas de entorno de bens tombados devem ser previamente autorizadas. A autarquia declarou que a presença de novos empreendimentos é possível desde que os projetos atendam aos critérios de preservação e não comprometam a visibilidade dos bens protegidos.

