O Irã deve apresentar formalmente nesta segunda-feira (14) um acordo com o Omã para a criação de um corredor marítimo temporário no Estreito de Ormuz. A medida ocorre após movimentações diplomáticas entre Teerã e Abu Dhabi e visa definir a navegação em um dos principais pontos de exportação de energia do mundo.
O governo iraniano apresentará a proposta às nações do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). Segundo fonte familiar ao assunto, as negociações sobre detalhes técnicos, como as taxas a serem cobradas dos navios, devem continuar entre os dois países. O Omã tenta organizar uma reunião de chanceleres do bloco em Salala, no sul do país, para tratar do tema.
Teerã sinalizou que o acordo não significa a reabertura total do estreito. O governo iraniano manterá a prerrogativa de decidir quais embarcações terão permissão para cruzar a via. O chanceler Abbas Araghchi classificou o encontro proposto como um passo para a construção de confiança.
A iniciativa surge em meio a conflitos iniciados em fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica, que levaram ao fechamento do estreito. Recentemente, o petróleo Brent superou US$ 105 por barril. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, afirmou neste domingo (13), na Irlanda, que não se importa com a reunião, desde que Israel e as nações do Golfo estejam satisfeitos.
O cenário regional permanece instável. O Bahrein descartou participação no encontro citando ataques apoiados pelo Irã no Golfo. No domingo, a agência estatal IRIB relatou um ataque inimigo contra um navio comercial próximo às ilhas Qeshm e Hengam, que resultou na morte de uma pessoa. A UK Maritime Trade Operations também informou que um navio foi atingido por projétil no sábado.
No setor econômico, as ações da Saudi Aramco caíram quase 1,1% neste domingo, o menor nível desde março. A queda ocorreu após o fechamento do oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita, alternativa ao Estreito de Ormuz, devido a ataques de drones atribuídos a militantes baseados no Iraque.


