O governo do Irã acelera a transferência de fluxos comerciais para portos, ferrovias e corredores terrestres no norte do país para driblar o bloqueio marítimo liderado pelos Estados Unidos. A estratégia visa reduzir a dependência das rotas do sul, embora a escala do transporte terrestre não substitua a capacidade de exportação de petróleo.
Em visita a Moscou, o ministro da Economia, Ali Madanizadeh, afirmou que o país deve ativar as fronteiras ao norte para desviar importações e exportações. O Irã possui sete vizinhos terrestres e acesso ao Mar Cáspio, conectando-se a Rússia, Turquia, Iraque, Paquistão, Ásia Central e Cáucaso.
No final de 2025, autoridades informaram que os portos do norte tinham capacidade nominal superior a 30 milhões de toneladas anuais, mas menos de um terço desse potencial era utilizado. No noroeste, o terminal de Astara processou cerca de 345 mil toneladas nos primeiros cinco meses de 2026, apesar de ter sido projetado para movimentar até 4 milhões de toneladas por ano.
O custo logístico é o principal entrave. Majidreza Hariri, presidente da Câmara de Comércio Irã-China, informou que o transporte de um contêiner da China via portos do sul custa US$ 3 mil, enquanto a via terrestre sobe para US$ 12 mil. A mudança prolongada para rotas terrestres poderia elevar os custos comerciais em US$ 18 bilhões, considerando a entrada de 2 milhões de contêineres anuais.
Jafar Ghaderi, membro da Comissão de Economia do Parlamento iraniano, declarou que 83% das 210 milhões de toneladas de importações do país tradicionalmente passavam pelas fronteiras marítimas do sul. Rotas terrestres são viáveis para grãos, medicamentos e insumos industriais, mas insuficientes para o petróleo bruto devido ao volume massivo de carga.
Umud Shokri, pesquisador da Universidade George Mason, explicou que o transporte de um único navio petroleiro, com até 2 milhões de barris, exigiria milhares de caminhões-tanque. Shokri classificou o plano como uma estratégia de resiliência, mas não de substituição completa do comércio marítimo.
Para reduzir a dependência do Estreito de Ormuz, o Irã construiu o oleoduto Goreh-Jask para exportar petróleo pelo Golfo de Omã. No entanto, a capacidade utilizável do projeto permanece abaixo da ambição original, evidenciando que a infraestrutura física não resolve sozinha a falta de terminais, seguros e liquidação financeira.


