O JPMorgan avalia que o real chega à eleição presidencial sem incorporar prêmio de risco eleitoral significativo, mas traça cenários que vão de R$ 4,90 a R$ 5,50 para o dólar, conforme a leitura do mercado sobre o resultado e a consolidação fiscal. O banco aponta que a demanda por carry, favorecida pelos juros elevados, sustentou a moeda neste ciclo.
Em relatório, o banco afirma que a disputa entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro é apertada, mas o real mostrou resistência ao ruído político maior do que em eleições anteriores. A demanda por carregamento, com juros altos no Brasil, foi um dos principais fatores por trás da estabilidade da moeda ao longo do ano.
Essa resiliência, porém, traz um ponto de atenção: pelas métricas de valuation do JPMorgan, o real permanece próximo de sua estimativa de valor justo de curto prazo, sem prêmio expressivo para a incerteza eleitoral. As posições compradas na moeda estão acima dos níveis observados antes de disputas anteriores, o que deixa o câmbio mais vulnerável a surpresas.
Em um cenário negativo, com resultado interpretado como desfavorável à consolidação fiscal, o dólar poderia caminhar para a região de R$ 5,50. O banco pondera que o movimento seria menor se o ambiente externo continuasse favorável a mercados emergentes. O risco fiscal voltaria ao primeiro plano, com a moeda exposta a expectativas de déficits persistentemente elevados.
O JPMorgan mostra que o quadro fiscal se deteriorou desde a eleição de 2022. A dívida bruta está em 83% do PIB, ante 74% naquele período, e o resultado fiscal passou de déficit de 4% para 9,4% do PIB. Por outro lado, o juro real está em 9,5%, contra 6,6% em 2022, e a volatilidade cambial de um mês caiu de 20,4% para 12,6%.
Na direção contrária, um resultado percebido como positivo poderia valorizar o real. O banco ressalta que não basta saber quem venceu: o vencedor precisaria estabelecer compromissos fiscais claros e um caminho politicamente crível para implementá-los. Mesmo com mudanças fiscais incrementais, o JPMorgan vê espaço para movimento de aproximadamente 6% no real, com o dólar testando mínimas do ano, perto de R$ 4,90.
O mercado de opções já embute volatilidade: a precificação de evento para os dois turnos corresponde a um movimento de equilíbrio de cerca de 6,5% no câmbio à vista. O banco mantém posição neutra no real em sua carteira GBI-EM e exposição à desvalorização via put spreads, entendendo que a relação risco-retorno está razoavelmente precificada.
Em pesquisa do JPMorgan, 47% dos investidores apontaram o real como a classe de ativo com maiores movimentos na eleição, seguido por títulos em moeda local (38%) e derivativos de juros (15%). A maioria espera mudança de governo: 59,7% projetam vitória de Flávio Bolsonaro, contra 40,3% que veem reeleição de Lula.

