O cenário de juros elevados e crédito imobiliário restrito mudou a forma como os brasileiros compram imóveis, com consumidores mais criteriosos e digitais. No primeiro semestre de 2026, foram comercializadas 226.536 unidades residenciais novas no país, alta de 5,4% ante o mesmo período de 2025, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Os dados da CBIC mostram que, apesar das condições de crédito ainda desafiadoras, a demanda por imóveis segue presente. A entidade, no entanto, aponta que os juros ainda pesam sobre o crédito imobiliário e limitam a capacidade de compra das famílias.
Esse cenário redefiniu a jornada de compra. Estudos sobre o comportamento do consumidor imobiliário indicam que o tempo médio gasto na fase de pesquisa aumentou significativamente. Antes de agendar a primeira visita presencial ou contatar uma imobiliária, o potencial comprador compara dezenas de opções online, analisa o custo do metro quadrado na região, pesquisa a infraestrutura do bairro e simula cenários de financiamento.
A tecnologia passou a ocupar a linha de frente do processo, servindo como principal ferramenta de curadoria e filtro. Plataformas de ecossistema imobiliário, como o Compre & Alugue Agora (CAA), ganham relevância ao adaptar a experiência digital às novas exigências do público.
Ana Carolina Gozzi, co-CEO do CAA, afirmou que a exigência por transparência e dados precisos no primeiro contato digital mudou a expectativa em relação ao mercado. “Quando comprar um imóvel exige mais planejamento financeiro, o consumidor também se torna muito mais criterioso na pesquisa”, disse.
A migração do processo de descoberta para o ambiente digital não anula o fator humano na transação, mas altera a função dos profissionais. Com o cliente chegando à negociação mais informado, o papel do corretor deixa de ser o de apresentador de opções e passa a ser o de consultor estratégico, responsável por sanar dúvidas jurídicas, intermediar pontos do contrato e oferecer visão técnica sobre valorização.

