O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), bloqueou o colega Gilmar Mendes no aplicativo WhatsApp na última terça-feira (8), após receber mensagens com ofensas e cobranças. A discussão ocorreu enquanto Mendes estava na Itália e girava em torno de investigação sobre a relação do ministro Alexandre de Moraes com o fundador do Banco Master.
Nas mensagens, Gilmar Mendes chamou Nunes Marques e o ministro Luiz Fux de “servis” e “submissos”, exigindo que abrissem suas contas bancárias. O teor das conversas surgiu em meio ao julgamento sobre a possibilidade de a Polícia Federal (PF) investigar a interlocução entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, preso sob suspeita de corrupção.
Nesta terça-feira (15), Nunes Marques se declarou impedido de participar do julgamento do caso. Ele justificou a decisão ao presidente do STF, Edson Fachin, e ao ministro André Mendonça, alegando que sua posição como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) poderia gerar impactos no cenário político-eleitoral a 19 dias das eleições.
A decisão ocorre após a divulgação de mensagens de Vorcaro que mencionam pagamentos mensais de R$ 500 mil via empresa de inteligência tributária, citando o filho de Nunes Marques, o advogado Kevin Marques. Durante a sessão, o ministro negou que o filho tenha prestado serviços ou recebido valores do Banco Master, afirmando ter “absoluta isenção”.
Paralelamente, a PF indicou indícios de venda de influência envolvendo o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP). Mensagens de Mariângela Fialek sugerem que o parlamentar afirmava ter acesso direto a Nunes Marques e André Mendonça para fazer pedidos. Os ministros não são investigados neste processo.
O caso principal envolve um relatório de André Mendonça que aponta contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. A Procuradoria-Geral da República (PGR) questionou a validade do procedimento da PF, alegando que a investigação contra um ministro do Supremo exigiria autorização do plenário.
Em resposta, Alexandre de Moraes solicitou a investigação de André Mendonça por abuso de autoridade e improbidade administrativa. O presidente do STF, Edson Fachin, assumiu a relatoria do caso e marcou julgamento separado para o dia 23 de setembro.

