O tratamento a laser da veia safena permite tratar varizes sem retirar a veia da perna, com recuperação mais rápida e resultados comparáveis à cirurgia convencional, segundo a cirurgiã vascular e endovascular Andressa Louzada, CRM-SP 182.973. A técnica, chamada de endolaser, é reconhecida por diretrizes brasileiras e internacionais.
As varizes surgem quando as válvulas das veias deixam de impedir o refluxo venoso, favorecendo o acúmulo de sangue nas pernas e o aparecimento de veias dilatadas, que causam sensação de peso, dor, inchaço e alterações na pele. Quando o refluxo compromete a safena e há indicação de intervenção, a cirurgia convencional, conhecida como safenectomia ou stripping, retira a veia por meio de incisões.
Nas últimas décadas, técnicas endovenosas passaram a permitir o tratamento da safena sem removê-la. No procedimento a laser, uma fibra é introduzida na veia por uma pequena punção e posicionada com auxílio do ultrassom. A energia térmica controlada promove o fechamento da veia comprometida, e o sangue continua circulando por outras veias funcionantes.
“A principal diferença é que o laser trata a safena por dentro. Como não é necessário retirá-la cirurgicamente, a manipulação dos tecidos ao redor da veia é menor, o que favorece uma recuperação mais rápida”, explica Louzada.
A Diretriz Brasileira de Doença Venosa Crônica, da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, reconhece a eficácia das técnicas endovenosas. Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2023 comparou a ablação a laser com a ligadura e retirada cirúrgica da safena magna. Os resultados clínicos e as taxas de recorrência foram comparáveis, com menor ocorrência de algumas complicações pós-operatórias no laser.
As diretrizes das Sociedades Americana e Europeia de Cirurgia Vascular reconhecem a ablação térmica endovenosa, incluindo o endolaser, como técnica preferencial. A escolha da técnica depende do trajeto da veia, da proximidade com a pele, da extensão do refluxo, dos sintomas e das condições clínicas do paciente. A cirurgia convencional segue como alternativa quando o tratamento endovenoso não é adequado ou não está disponível.
O ultrassom Doppler permite mapear o sistema venoso, identificar segmentos com refluxo e verificar se a safena tem características adequadas ao tratamento. A presença de refluxo no exame não determina, isoladamente, a necessidade de tratar a veia. “O objetivo é não tratar um achado de ultrassom. Precisamos identificar a origem do refluxo e avaliar se o tratamento da safena realmente trará benefício para aquele paciente”, afirma a especialista.
O procedimento não é isento de riscos. Entre as possíveis intercorrências estão inflamação superficial, alterações de sensibilidade, queimaduras e complicações trombóticas, consideradas incomuns. A indicação, a execução da técnica e as orientações para a recuperação devem ser individualizadas.

