Márcio Barbosa da Silva, apontado como liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC) no ABC Paulista, foi preso em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, no sábado (19). Ele foi expulso do país vizinho e entregue às autoridades brasileiras nesta segunda-feira (21), após operação conjunta entre polícias do Brasil e da Bolívia.
O homem, conhecido como Beiço de Mula, era procurado no Brasil por porte ilegal de arma de fogo e organização criminosa. Seu nome constava na difusão vermelha da Interpol. A captura resultou de troca de informações entre a Polícia Federal, a Polícia Civil de São Paulo e a Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico (FELCN), da polícia boliviana.
Márcio aparece em mensagens da denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) na Operação Vectura Corrupta. A investigação apura a infiltração da facção em empresas de transporte coletivo da capital paulista e a aproximação do grupo com agentes públicos. A operação levou à prisão temporária do ex-vereador Milton Leite, que nega envolvimento com a organização.
Em buscas em um imóvel ligado ao ex-parlamentar, a polícia apreendeu R$ 739 mil em reais e dólares. Segundo a denúncia, há suspeitas de que empresas de ônibus tenham sido utilizadas para lavar dinheiro e expandir a atuação do grupo criminoso.
A Polícia Civil também relacionou Márcio ao ex-vereador de Santo André, Thiago Rocha, preso em abril. A apuração indicou que Rocha mantinha contato com integrantes da facção para tentar criar um núcleo político e ampliar a presença do grupo no poder público. A companheira de Márcio, que trabalhava em cargo comissionado na Prefeitura de São Bernardo do Campo, também é investigada.
A facção, fundada em São Paulo nos anos 1990, utiliza a Bolívia como rota no mercado internacional de drogas. Márcio Barbosa da Silva está agora sob responsabilidade das autoridades brasileiras. A defesa dele não foi localizada para comentar as acusações até a transferência.

